Às vezes,
procuramos explicações
para aquilo que dói,
como se entender a ferida
pudesse fazê-la desaparecer.
Queremos saber
por que certas despedidas
chegam antes da hora,
por que algumas ausências
deixam tanto silêncio,
e por que a cura
demora mais
do que o coração imaginava.
Mas talvez
nem toda pergunta
precise de uma resposta.
Talvez algumas coisas
precisem apenas
de tempo,
de silêncio,
de espaço para existir.
Talvez haja sabedoria
em não transformar
cada ferida em lição,
nem toda dor em crescimento.
Às vezes,
é permitido simplesmente
sentir.
Ser quem somos
naquele instante,
sem pressa de melhorar,
sem obrigação de compreender.
Porque a luz
nem sempre revela
todo o caminho.
Às vezes,
ela alcança apenas
o próximo passo.
E talvez seja isso
que precisamos:
não enxergar
onde a estrada termina,
mas ter luz suficiente
para continuar caminhando.
