Há mudanças
que chegam
como tempestades.
Outras,
quase não fazem
barulho.
Apenas acontecem.
Um dia,
percebe-se
que algumas certezas
já não existem.
Que antigas versões
ficaram
para trás,
como folhas
que o vento
levou
sem pedir
permissão.
Por um instante,
parece
que tudo
foi perdido.
Mas não.
Nem tudo
muda.
Há algo
que atravessa
o tempo,
os medos,
as quedas,
as despedidas.
Algo
que permanece
mesmo quando
a vida
reorganiza
todos os caminhos.
É difícil
dar-lhe um nome.
Talvez
seja essência.
Talvez
seja aquilo
que nunca
precisou
ser explicado.
Apenas vivido.
Porque o mundo
pode mudar
os cenários.
As pessoas
podem mudar
de direção.
Os sonhos
podem ganhar
novas formas.
Mas existe
uma presença
silenciosa
que continua
habitando
o lugar
mais profundo
de quem somos.
É ela
que nos reconhece
quando já não sabemos
quem somos.
É ela
que segura
a mão
nas travessias
mais difíceis.
E talvez
amadurecer
não seja
tornar-se
outra pessoa.
Mas descobrir,
entre tudo
o que mudou,
aquilo
que sempre
permaneceu
esperando,
em silêncio,
que voltássemos
para casa.
