Não é no começo
que o coração se revela.
Enquanto tudo floresce,
muitas sombras
aprendem a esperar.
É na despedida
que os valores encontram voz.
Quando o afeto já não basta,
cada escolha
fala mais alto que cada promessa.
Há quem preserve a dignidade
mesmo entre ruínas.
Há quem transforme a dor
em respeito.
Há quem carregue o silêncio
como último gesto de cuidado.
E há quem escolha
ferir para vencer,
expor para punir,
confundir para permanecer.
A separação
não cria um coração novo.
Apenas retira
o que o amor,
por tanto tempo,
mantinha coberto.
Porque, às vezes,
é somente no fim
que se descobre
quem sempre esteve ali,
escondido
atrás daquilo
que parecia amor.
