Houve sinceridade
antes mesmo da pergunta.
Uma conversa revelada,
um gesto sem esconderijos,
uma tentativa de preservar
a transparência entre dois caminhos.
Mas a verdade, em vez de acolhida,
foi levada ao tribunal da desconfiança.
Contaram minutos,
procuraram culpas,
transformaram palavras
em provas de um crime inexistente.
E, de repente,
quem havia falado com honestidade
já não tinha voz.
A própria história
passou a ser discutida por outros,
como se a presença não bastasse,
como se a dignidade pudesse esperar.
Vieram as acusações,
as cobranças,
as mensagens atravessadas,
a necessidade de encontrar culpa
para aliviar medos antigos.
E entre versões,
raivas
e orgulhos feridos,
restou o silêncio de quem tentava compreender
como a sinceridade
pôde se transformar em condenação.
Talvez a maior ferida
não tenha sido a suspeita.
Talvez tenha sido perceber
que a confiança não perguntou,
apenas julgou.
Que o amor não ouviu,
apenas investigou.
E que, às vezes,
quem mais se sente exposto
é justamente quem
mais tentou agir com verdade.
