Há sonhos
que nascem em silêncio,
mesmo quando a alma
está cansada.
Eles chegam devagar,
como quem não quer incomodar
a dor que já ocupa
tanto espaço.
Há dores
que tentam fechar caminhos,
apagar vontades,
diminuir o brilho
dos dias.
Mas ainda assim,
alguma coisa insiste.
Uma força pequena,
quase invisível,
continua respirando
por dentro.
Entre sonhos e dores,
a vida segue
costurando esperança
onde parecia haver
apenas cansaço.
Nem todo dia floresce.
Nem toda noite consola.
Nem toda luta
encontra resposta.
Mas há coragem
em continuar desejando
mesmo depois
de tanto sentir.
Há beleza
em quem carrega marcas
e ainda guarda
um pedaço de céu
na própria existência.
Porque os sonhos
não anulam as dores.
E as dores
não precisam vencer
todos os sonhos.
Às vezes,
a vida não pede pressa.
Pede apenas
que a esperança
não seja abandonada
só porque o caminho
ficou difícil.
Pede que o coração
aprenda a caminhar
mesmo quando
não entende o peso
que carrega.
E, pouco a pouco,
entre uma queda
e um recomeço,
algo se reorganiza
por dentro.
A dor não desaparece
de uma vez.
Mas perde força
quando encontra
uma alma
que ainda não desistiu
da luz.
O sonho também muda.
Fica mais simples,
mais profundo,
mais verdadeiro.
Já não precisa provar nada.
Só precisa existir
como uma claridade discreta,
lembrando que ainda há
futuro.
Entre sonhos e dores,
também se aprende
que sobreviver
não é pouco.
Que continuar
não é fraqueza.
Que recomeçar
com o coração ferido
é uma das formas
mais silenciosas
de coragem.
E talvez seja assim
que a vida floresça:
não sem marcas,
não sem perdas,
não sem medo,
mas com essa força
que nasce baixinho
no meio do caos
e diz, quase em silêncio:
ainda há caminho,
ainda há tempo,
ainda há luz.
