Nem sempre a vida precisa
seguir em andamento acelerado.
Há dias em que a alma pede menos.
Menos pressa.
Menos cobrança.
Menos ruído do mundo
entrando pelas frestas.
Durante muito tempo,
aprendemos a medir valor
pelo movimento.
Pelo que se faz.
Pelo que se entrega.
Pelo que se alcança.
Pelo que se consegue sustentar
mesmo quando tudo dentro
pede descanso.
Mas há uma sabedoria antiga
morando nas pausas.
O silêncio também trabalha.
O tempo também cura.
O corpo também conversa
quando finalmente encontra espaço
para ser ouvido.
Nem toda parada é desistência.
Nem todo intervalo é vazio.
Nem toda quietude
significa ausência de caminho.
Às vezes,
é no instante em que nada parece acontecer
que algo profundo
começa a se reorganizar.
A vida também precisa respirar
entre uma travessia e outra.
Como a música,
que não existe apenas nas notas,
mas também nos espaços
que permitem que cada som
tenha sentido.
Há pausas
que devolvem o ritmo.
Há silêncios
que recolhem os excessos.
Há descansos
que não atrasam a jornada,
apenas impedem
que a alma chegue inteira demais ao cansaço
e pequena demais a si mesma.
Por isso,
quando a vida desacelerar,
não se apresse em chamar de perda.
Talvez seja apenas
um compasso necessário.
Um intervalo delicado.
Uma forma silenciosa
de o coração lembrar
que até as pausas
também fazem música.
