Às vezes,
a vida não pede grandes respostas.
Pede apenas
uma xícara quente entre as mãos,
uma janela aberta,
um pouco de luz atravessando a manhã.
Pede que a gente pare
por alguns segundos
e perceba o simples:
o som distante da rua,
o silêncio depois da pressa,
a respiração voltando
para dentro do corpo.
Nem tudo precisa ser conquista.
Nem tudo precisa ser chegada.
Há dias em que viver
é apenas estar presente
no pequeno espaço
entre um pensamento e outro.
E ali,
sem anúncio,
sem grande acontecimento,
algo se acomoda por dentro.
Como se a vida dissesse baixinho:
aqui também existe beleza.
No instante pequeno.
No gesto comum.
Na pausa que ninguém vê.
Porque às vezes,
quando o coração desacelera,
o mundo inteiro
cabe dentro de um momento.
