Há pessoas que conhecem a nossa história.
Mas ninguém conhece todas as nossas versões.
Existe aquela criança que sonhava coisas que já esquecemos.
O adolescente que acreditava que a vida seguiria um caminho completamente diferente.
A pessoa que fomos antes de uma perda.
Antes de uma despedida.
Antes de uma escolha que mudou tudo.
Ao longo dos anos, vamos nos transformando tantas vezes que, por vezes, nem nós conseguimos acompanhar todas as mudanças.
Algumas versões desaparecem aos poucos.
Outras continuam vivendo em silêncio dentro de nós.
Existe a pessoa que teríamos sido se tivéssemos aceitado aquele convite.
Se não tivéssemos partido.
Se tivéssemos ficado.
Se tivéssemos dito sim.
Ou se tivéssemos tido coragem de dizer não.
Há versões nossas espalhadas por estradas que nunca percorremos.
Por cidades onde nunca moramos.
Por amores que nunca começaram.
Por sonhos que ficaram à espera de uma estação que não chegou.
E, ainda assim, elas fazem parte de nós.
Não como arrependimento.
Mas como possibilidade.
Como lembrança de que a vida sempre foi maior do que aquilo que conseguimos viver.
Talvez a maturidade não esteja em lamentar as versões que ficaram pelo caminho.
Talvez esteja em acolhê-las.
Em agradecer por tudo o que tentaram nos ensinar.
Porque cada pessoa que somos hoje foi construída também por aquelas que não chegamos a ser.
E, de alguma forma misteriosa, elas continuam caminhando ao nosso lado.
Silenciosas.
Invisíveis.
Mas presentes.
Como páginas que não foram escritas, mas que ajudaram a compor a história inteira.
