Os anos passam silenciosos.
Levando consigo estações,
rostos, vozes,
momentos que pareciam eternos
e que hoje vivem apenas na memória.
Aqueles que amamos seguem caminhos diferentes,
alguns para longe dos nossos olhos,
outros para lugares que o coração visita
mas os passos já não alcançam.
No início, a ausência parece imensa,
como uma casa com janelas abertas ao vento.
Mas o tempo, com sua delicada sabedoria,
não apaga o amor.
Transforma-o.
O que antes era presença
torna-se lembrança.
O que era conversa diária
torna-se companhia silenciosa.
E aquilo que parecia perdido
passa a viver em gestos, palavras, costumes
e pequenas coisas que atravessam os anos.
Porque quem foi amado de verdade
nunca desaparece completamente.
Permanece nas histórias contadas,
nos ensinamentos deixados,
nos sorrisos herdados
e nos afetos que continuam florescendo.
Os anos seguem seu curso,
como rios em direção ao mar.
E enquanto passam, ensinam que a saudade
não é apenas a dor da ausência.
É também a prova serena
de que houve amor suficiente
para permanecer além do tempo.
