Há quem atravesse oceanos
em busca de um lugar no mapa.
E há quem descubra, com o tempo,
que a verdadeira viagem acontece por dentro.
Viver longe da terra natal
é aprender novos nomes para as estações,
novos sons para as manhãs,
novas formas de compreender o mundo.
É ver a neve cair pela primeira vez
e perceber que a beleza também habita
aquilo que antes parecia distante.
É aprender outra língua,
não apenas com as palavras,
mas com os silêncios, os costumes
e os diferentes ritmos da vida.
Com os anos, as fronteiras se tornam mais suaves.
O que era estranho ganha familiaridade.
O que era distante encontra lugar no coração.
E, pouco a pouco, nasce uma identidade feita de encontros:
um pouco da terra que ficou,
um pouco da terra que acolheu.
Depois de tanto tempo,
já não se trata de partir ou chegar.
Trata-se de carregar dois mundos consigo,
duas paisagens na memória,
duas formas de olhar para a vida.
E compreender que as raízes não desaparecem quando viajam.
Elas apenas aprendem a florescer
em novos jardins.
