Coleções de Leitura | Sinfonia de Palavras 2

As curvas que nos encontram

Por onde andou o vento

Houve caminhos que ninguém viu,
estradas sem placas,
estações onde o tempo parecia
ter esquecido de passar.

Houve mares atravessados em silêncio,
portas fechadas,
despedidas necessárias
e perguntas sem resposta.

A vida, porém,
tem o estranho costume
de redesenhar os mapas
quando tudo parece perdido.

O que era fim
transforma-se em curva.
O que parecia ruína
revela-se alicerce.

Por onde se andou,
algo ficou.
Por onde se caiu,
algo foi aprendido.
Por onde se chorou,
algo floresceu depois.

Porque as tempestades
não recebem a última palavra.

Depois delas,
o céu reaprende o azul,
a terra reaprende as sementes,
e a alma reaprende a confiar.

Novas fases chegam
sem pedir licença,
trazendo horizontes desconhecidos,
mas também novas possibilidades.

E assim segue a vida:
girando,
surpreendendo,
renascendo.

Sempre renascendo.

Como a manhã
que retorna após a noite,
como o rio
que encontra outro caminho,
como quem descobre,
depois de tantas voltas,
que recomeçar
também é uma forma de chegar.

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