Por onde andou o vento
Houve caminhos que ninguém viu,
estradas sem placas,
estações onde o tempo parecia
ter esquecido de passar.
Houve mares atravessados em silêncio,
portas fechadas,
despedidas necessárias
e perguntas sem resposta.
A vida, porém,
tem o estranho costume
de redesenhar os mapas
quando tudo parece perdido.
O que era fim
transforma-se em curva.
O que parecia ruína
revela-se alicerce.
Por onde se andou,
algo ficou.
Por onde se caiu,
algo foi aprendido.
Por onde se chorou,
algo floresceu depois.
Porque as tempestades
não recebem a última palavra.
Depois delas,
o céu reaprende o azul,
a terra reaprende as sementes,
e a alma reaprende a confiar.
Novas fases chegam
sem pedir licença,
trazendo horizontes desconhecidos,
mas também novas possibilidades.
E assim segue a vida:
girando,
surpreendendo,
renascendo.
Sempre renascendo.
Como a manhã
que retorna após a noite,
como o rio
que encontra outro caminho,
como quem descobre,
depois de tantas voltas,
que recomeçar
também é uma forma de chegar.
