Às vezes, não é que o amor morra…
Ele apenas deixa de ser um lar seguro.
Deixa de ser abrigo,
deixa de ser chão.
O que antes era calor,
vira vento que sopra entre frestas,
vira eco em paredes frias,
vira silêncio onde antes havia canção.
Já não há olhos que se buscam
com a mesma urgência de antes.
Já não há mãos que se encontram
como quem se reconhece no toque.
O amor, que foi casa,
vira lembrança.
O teto racha,
as janelas se fecham,
e o coração entende
sem gritar
que aquele lugar já não é mais lar.
E então, com a delicadeza das coisas que findam,
ele não morre… apenas parte,
como quem sabe
que permanecer ali seria esquecer de si.
