O luto do término
não é só perder alguém,
é perder também versões de nós
que só existiam ali.
É estranho atravessar os dias
sem o abraço que sustentava,
sem a voz que preenchia,
sem os planos que pareciam eternos.
Dói soltar uma parte de si,
dói reconhecer
que o que parecia infinito
se tornou breve demais.
A saudade insiste,
a memória engana,
o coração protesta.
Mas a alma sabe:
é melhor assim.
Não se força o encontro
quando um já seguiu por atalhos,
não se floresce
onde o terreno se recusa a brotar.
Ficar seria se abandonar,
e amor algum
vale a renúncia da própria essência.
Então o fim se revela começo:
com a dor, vem também o alívio
de não carregar sozinho
o peso de dois.
Surge a chance de se reconstruir,
abrir espaço para o que é verdadeiro,
respirar sem medo,
permitir-se florescer.
O coração chora,
mas também agradece.
Porque todo adeus sincero
traz escondida
a promessa de um recomeço.

No silêncio da ausência, a alma encontra terreno fértil para florescer de novo.
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E é nesse terreno silencioso que a esperança lança raízes profundas, lembrando-nos de que cada ausência guarda em si a promessa de um novo florescer. 🍃
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