Enquanto há briga, choro, insistência,
é porque ainda existe importância.
O cuidado se revela até nos gestos duros,
nas palavras atravessadas,
nas lágrimas que escapam sem pedir licença.
Quem sente raiva, medo ou ciúme
ainda se importa
porque só se reage ao que ocupa
um espaço dentro.
O que esvazia não é o excesso de emoção,
mas a ausência dela.
Quando o silêncio já não pesa,
quando a ausência não incomoda,
quando a presença não faz diferença,
é aí que algo perde a força.
O contrário do amor
não está na briga nem no ciúme,
mas na indiferença
que se instala onde não há vínculo.
O coração descompassado
ainda revela vida.
A dor se transforma,
o ciúme se dissolve,
a raiva se acalma.
Mas a indiferença…
essa é o vazio
que não encontra mais caminho de volta.
