Há dores que se repetem
mesmo sem serem tocadas,
cicatrizes que a memória insiste em abrir
como se o tempo não fosse suficiente
para fechar a ferida.
O ressentimento é isso:
um nó que não se desata,
um passo que não avança,
uma corrente que prende o coração
àquilo que já não pode ser mudado.
É a escolha de reviver a dor
quando seria possível deixá-la adormecer,
é olhar para trás com olhos de agora
e acreditar que o passado ainda tem o poder
de ferir o presente.
Mas, quanto mais o ressentimento se alimenta,
mais a alma se curva sob o seu peso.
E, na tentativa de apontar culpados,
se perde a chance de encontrar a leveza.
Soltar não é esquecer,
soltar é libertar-se do que paralisa.
É permitir que a vida continue
sem carregar as correntes da mágoa,
é abrir espaço dentro de si
para que a esperança volte a florescer.
Porque nenhum coração nasceu
para ser morada da amargura.
Ele nasceu para ser casa da liberdade.
