Há quem confunda amor com resistência,
como se amar fosse aceitar qualquer dor
e permanecer mesmo quando tudo fere.
Mas amor não é ausência de limites.
O coração pode ser vasto,
mas não nasceu para se apagar.
Ele precisa de respiro,
de silêncio que cura,
de gestos que devolvem paz.
Existem vínculos que sufocam,
que pedem mais do que oferecem,
que fazem do cuidado um cativeiro invisível.
E, aos poucos, a alma se perde
no esforço de carregar o que não é seu.
O amor verdadeiro não exige autoabandono.
Ele não pesa mais do que os ombros podem suportar.
Ele sustenta, aquece,
dá espaço para respirar.
É abrigo, não algema.
É presença que fortalece,
não ausência que consome.
Há um momento em que a alma entende:
o que chamamos de amor
às vezes é apenas apego ao que já não floresce,
medo de soltar o que deixou de ser jardim.
E então nasce a coragem de dizer “basta”,
não como quem desiste,
mas como quem se escolhe.
Porque amar não é se apagar para que o outro brilhe,
mas acender juntos uma luz que não machuca.
