Entre Sentir e Curar

Quando até o amor parece distante

Há fases em que tudo ao redor parece embaçado.

As vozes chegam, mas não tocam.

Os gestos passam, mas não alcançam.

As pessoas estão ali, mas é como se houvesse um vidro entre o mundo e o peito.

Não é desamor.

Não é frieza.

É o silêncio que se instala quando o coração se cansa de não ser reconhecido.

Uma exaustão emocional que apaga lentamente o brilho das conexões.

A rotina continua.

As tarefas seguem.

Os vínculos permanecem — ao menos no nome.

Mas por dentro, algo se afasta.

Como se a alma entrasse em modo de sobrevivência.

Como se o sentir precisasse adormecer um pouco para suportar a ausência de troca.

Nesse espaço de afastamento, nasce um vazio difícil de nomear.

Não é saudade de alguém.

É saudade de reciprocidade.

De leveza.

De vínculos que tragam de volta a sensação de existir com significado.

É natural que o afeto se desgaste onde não há retorno.

Mesmo quem ama profundamente pode, aos poucos, se afastar emocionalmente

em ambientes onde só se espera — e nunca se recebe.

E não se trata de egoísmo,

mas de uma necessidade humana:

ser visto, reconhecido, acolhido.

Porque até os corações mais generosos se esgotam

quando o amor precisa existir sozinho.

Deixe um comentário