Há gestos que deveriam florescer em gratidão,
Mas se perdem no silêncio frio do esquecimento.
Há corações que recebem tanto
E ainda assim se fecham,
Como se nunca tivessem sido tocados.
A ingratidão dói porque revela
A distância entre o que se oferece
E o que o outro escolhe enxergar.
É como entregar uma parte de si
E vê-la cair no vazio,
Sem eco, sem retorno.
Mas a alma aprende:
Nem todo gesto será reconhecido,
Nem todo cuidado será lembrado,
Nem toda bondade será abraçada.
O que permanece é a verdade
De que a generosidade é um reflexo de quem somos,
Não do que recebemos em troca.
E, diante da ingratidão,
A escolha mais bonita ainda é
Não deixar que ela roube
A delicadeza de continuar sendo luz.
