Às vezes, não é o peso das tarefas que cansa,
Mas o peso invisível dos olhares,
Das palavras que ferem de leve,
Das pequenas disputas que transformam
Um lugar de encontro em território hostil.
Um ambiente ruim se espalha em silêncio,
Como fumaça que entra por cada fresta,
Contaminando até os que tentam respirar fundo
E guardar a própria paz.
Ninguém sai ileso quando a convivência é áspera,
Porque a alma percebe o clima antes mesmo do corpo,
E o coração se fecha devagar,
Com medo de ser atingido de novo.
É preciso coragem para não se deixar endurecer,
Para não devolver na mesma moeda,
Para manter viva a centelha da gentileza,
Mesmo quando o ar parece pesado demais.
Porque a convivência pode ferir,
Mas também pode curar.
E um gesto leve
Um sorriso, um silêncio respeitoso,
Uma escuta sincera
Tem força de quebrar o ciclo
E devolver humanidade ao que estava cinza.
