Silêncios que Acolhem

O peso das ausências

Existem silêncios que não se medem pelo que dizem,

mas pelo vazio que deixam.

Não é apenas a falta de palavras que pesa,

é o gesto que não aconteceu,

o abraço que não chegou,

a presença que se dissolveu em distância.

Há ausências que se tornam companhias estranhas:

a cadeira vazia à mesa,

o canto do quarto que parece esperar,

o coração que insiste em procurar sinais

onde só existe o eco do que já se foi.

O tempo ensina a seguir,

mas seguir não significa esquecer.

Carregamos, no fundo da alma,

rastros de histórias que já não se repetem,

vestígios de vozes que já não se escutam,

memórias que, mesmo adormecidas,

ainda respiram em nós.

E, paradoxalmente,

há uma beleza sutil nas ausências.

Elas lembram que vivemos encontros verdadeiros,

que tivemos razões para sentir falta,

que houve laços tão fortes

que nem mesmo a distância conseguiu apagar.

Talvez seja isso que nos sustenta:

a certeza de que até o que partiu

deixou luz suficiente

para iluminar os passos que ainda damos.

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