A esperança é o fio invisível
que costura o escuro.
Não aparece de repente,
não chega em clarões,
mas se insinua nas frestas,
devagar,
como quem aprende primeiro a escutar
antes de falar.
Ela passa pelos rasgos da alma,
alinhava o que a dor separou,
une os pedaços que pareciam
para sempre quebrados.
É discreta,
às vezes quase imperceptível,
mas está lá
segurando cada parte do que somos
quando sentimos que não há mais nada.
É linha frágil aos olhos,
mas mais forte que o peso dos dias.
É quase silêncio,
mas sustenta mundos inteiros.
E enquanto pensamos
que não existe saída,
ela segue costurando por dentro:
tecendo claridade em meio ao breu,
bordando coragem no tecido gasto da vida,
fazendo da noite
um manto que também aquece.
E quando menos esperamos,
o escuro já não é só ausência,
mas matéria-prima
de um recomeço possível.
