Esperança

O milagre que não se vê

Cada momento é uma fresta onde o invisível pode se revelar.

Às vezes não é preciso um gesto grandioso,

nem um acontecimento raro

a graça se manifesta no simples,

na respiração que acalma,

no silêncio que repousa,

na clareza súbita que chega sem ser chamada.

Ela é um sopro que suaviza o peso dos dias,

uma energia delicada que atravessa muros internos,

desfazendo as correntes que a mente insiste em erguer.

Não pede esforço, apenas abertura.

Não exige certezas, apenas presença.

Viver em graça é caminhar com a confiança de que existe sempre uma resposta escondida nos detalhes.

É perceber que portas se abrem quando nos permitimos bater,

que sinais surgem quando ousamos olhar com olhos atentos,

que a vida tem maneiras sutis de nos entregar aquilo que precisamos,

mesmo quando não coincide com aquilo que pedimos.

A graça não grita, não se impõe.

Ela se insinua nas entrelinhas,

no inesperado que nos desperta,

na suavidade que chega em meio ao caos.

E quando nos deixamos tocar por ela,

descobrimos que o milagre nunca esteve distante

ele sempre esteve dentro.

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