Silêncios que Acolhem

A solidão que esculpe a alma

A solidão tem mãos invisíveis.

Ela molda, devagar, os contornos da alma.

Ora endurece, ora afina as bordas do coração.

Deixa marcas que o tempo não apaga,

lembranças de noites em que o silêncio

foi a única companhia.

O peso da exclusão e do abandono

faz o peito aprender a respirar em ritmos diferentes.

Há quem se feche, criando muros;

há quem se abra, buscando em si mesmo

a presença que faltou do lado de fora.

E ainda que doa,

a solidão ensina:

mostra a urgência de sermos vistos,

o valor de um abraço que não chega,

a força de quem aprende a sobreviver

mesmo quando ninguém percebe.

A solidão esculpe a alma.

E, paradoxalmente,

é nesse silêncio profundo

que muitos descobrem

a própria voz.

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