Há um reencontro que muda o rumo de tudo.
Não é com alguém distante,
nem com um amor que partiu,
mas com a presença que sempre esteve aqui,
esperando ser lembrada.
É quando o cuidado que antes se espalhava para todos os lados
começa a encontrar abrigo dentro.
Quando a atenção que se gastava para manter mundos alheios de pé
se volta para sustentar o próprio chão.
É redescobrir a paz de estar só
e perceber que solidão e isolamento
não são a mesma coisa.
É sentir saudade da própria companhia
e, enfim, regressar para ela.
Sentar-se ao lado do próprio silêncio,
escutar os pensamentos como quem ouve uma música antiga,
ser o abraço que antes se pedia aos outros.
E, nesse instante, entender:
não se trata de fechar portas,
mas de abrir janelas para dentro
até que estar consigo
seja o lugar mais habitado do mundo.
