Entre Sentir e Curar

Quando o cuidado nasce da falta

Há uma sede antiga dentro de nós

de ser visto, acolhido, lembrado.

E quando essa sede não é saciada,

o coração, na sua carência,

passa a oferecer aos outros

tudo o que sonha receber.

Entrega-se inteiro,

costurando gestos, palavras e presenças

como quem tenta tecer um abrigo

que, no fundo, também deseja para si.

Mas, nessa ânsia de dar,

vai se esvaziando.

Porque cuidar a partir da falta

é como acender velas sem ter mais fósforos

em algum momento, a luz se apaga.

O amor não precisa se desgastar para ser real.

E talvez o cuidado mais verdadeiro

seja aquele que também inclui

as mãos que o oferecem.

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