Há palavras que ficam.
Acomodam-se no canto da memória,
como quem encontra casa.
E há palavras que voam.
Nascem de um sopro,
atravessam distâncias invisíveis
e pousam, sem aviso,
no instante em que alguém precisa ouvir.
Palavras têm asas.
Às vezes são leves como um pássaro de manhã,
outras vezes carregam a força de um vento antigo
que varre o que já não pertence.
Quando encontram morada no coração de alguém,
deixam de ser apenas letras
e se tornam abrigo,
lembrança,
ou o começo de um recomeço.
E, no fundo, escrever é isso:
soltar ao vento o que se é,
confiando que, em algum lugar,
as asas saberão o caminho.
