Relacionamentos e Vínculos

Quando amar vira medo

Às vezes, o amor não se desfaz.

Ele se fecha.

Vira proteção. Vira muro.

Vira desconfiança vestida de silêncio.

Depois de tantas tentativas,

de tanto doar mais do que recebeu,

de tanto esperar por reciprocidade e não encontrar,

o coração aprende a se proteger.

Mas, no caminho, também esquece como se permitir sentir de novo.

Amar já foi casa.

Hoje parece risco.

E, por mais que o coração deseje abrigo,

a alma já não sabe se consegue abrir a porta outra vez.

Não é frieza.

É cuidado.

É memória emocional de quem sangrou demais por dentro

e agora teme até o toque mais leve.

Quem já amou demais sem retorno,

sem presença, sem cuidado,

às vezes precisa tempo —

não para esquecer o amor,

mas para lembrar que ainda é seguro amar de novo.

Porque o amor que machuca não é amor —

é descompasso.

E a cura só começa quando se entende que

amar com medo não é amar com menos intensidade —

é amar com mais cautela,

com mais história,

com mais delicadeza.

E tudo bem.

A vida entende os passos lentos de quem já caiu demais.

E o amor de verdade não apressa.

Apenas espera, silenciosamente,

até que a ponte volte a se construir.

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