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A ausência também fala

Quando alguém se afasta sem explicação,

a ausência se torna linguagem.

Ela pode parecer silêncio,

mas diz o que a boca não soube dizer.

Ela pesa — porque é cheia de significados não ditos,

cheia de pausas que carregam sentimentos embargados.

Nem sempre o afastamento é mágoa.

Às vezes, é defesa.

É alguém tentando salvar o que ainda resta de si

antes de se perder completamente no excesso de dar, esperar ou suportar.

Porque há cansaços que não se explicam.

Há dores que se retiram, não por vingança,

mas por sobrevivência.

Nem todo silêncio é desinteresse.

Nem toda distância é descaso.

Algumas pessoas somem porque sentem demais

e não sabem mais como continuar perto sem se machucar.

A ausência também fala.

E às vezes, ela diz mais do que qualquer palavra conseguiria sustentar.

3 comentários em “A ausência também fala”

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