Se tudo o que brilha deixasse de brilhar…
Se os aplausos cessassem, as conquistas não viessem, os momentos marcantes sumissem do calendário…
O que ainda ficaria?
Talvez, o cheiro do café feito do mesmo jeito.
O abraço silencioso de alguém que conhece suas pausas.
A manhã nublada que convida ao cobertor.
A planta que insiste em crescer na janela.
O corpo, mesmo cansado, ainda disposto a recomeçar.
O extraordinário ensina, encanta, impressiona.
Mas é o comum que sustenta.
São os gestos repetidos com amor.
As presenças que não exigem performance.
As pequenas rotinas que seguram a alma no chão.
O sentido, muitas vezes, não está no que surpreende
mas no que permanece
sem precisar ser notado.
