Coleções de Leitura | Sinfonia de Palavras

A carta que nunca escrevi

Ficou guardada no silêncio.

Entre uma madrugada e outra.

Entre tudo o que foi sentido — e nada do que foi dito.

A carta que nunca foi escrita

carregava aquilo que faltou coragem, tempo ou espaço para ser revelado.

Tinha verdades sem maquiagem,

feridas sem disfarce,

afeto sem moldura.

Talvez não fosse lida com o coração aberto.

Talvez virasse só mais um peso para quem nunca soube segurar.

E por isso ficou ali:

intacta, invisível, calada.

Mas nem por isso deixou de existir.

Porque certas cartas, mesmo não enviadas,

ainda sussurram por dentro.

Ainda esperam em silêncio

ser compreendidas,

mesmo que seja tarde demais.

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