Coleções de Leitura | Sinfonia de Palavras

Viver sem alma

Há dias em que seguimos…

Mas não estamos.

O corpo acorda, se move, responde.

Mas é só o corpo.

A alma, essa, ficou num lugar que a gente não sabe mais nomear.

Ficou em alguma despedida que doeu demais.

Num pedaço de sonho que desfez.

Num canto da vida onde já não conseguimos voltar.

E é assim que às vezes a vida parece:

um eco do que já fomos,

uma ausência que veste o dia,

um cansaço que não é do corpo — é do sentir.

Mas mesmo nesse vazio que parece não ter fim,

há uma esperança miúda, quase imperceptível,

de que a alma volte.

Devagar. No seu tempo.

Porque o que é de dentro nunca se perde.

Só se esconde, às vezes, para se refazer.

2 comentários em “Viver sem alma”

    1. Obrigada por essa delicadeza.
      Talvez seja isso que torna a escrita tão viva: quando o outro se vê nela com o coração quieto.

      É bonito saber que esse poema tocou algo em você mesmo que de mansinho, como quem chega sem fazer barulho, mas fica. 💛✨

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