as conversas diminuem.
os encontros cessam.
os dias passam — e ninguém passa por você.
há gente viva na sua vida,
mas ninguém no seu agora.
o café é feito só para um.
a casa tem silêncio demais.
e até os objetos parecem quietos demais.
e você começa a se perguntar:
onde foi parar o barulho bom de existir com alguém por perto?
dói.
porque não é só solidão
é o susto de perceber que, sem aviso, o mundo mudou de lugar.
e você ficou.
mas entre esse silêncio e essa ausência,
ainda existe você.
inteira(o), mesmo em pedaços.
presente, mesmo sentindo falta.
e talvez seja aqui, nesse lugar que assusta,
que algo novo comece a nascer.
um cuidado diferente com você.
uma escuta que vem de dentro.
um passo pequeno — mas seu.
aos poucos, com tempo e verdade,
a vida reencontra a sua porta.
e não importa quanto tempo leve,
você não está esquecida(o) da existência.
ainda há um caminho que é seu para caminhar.
e há encontros que ainda vão acontecer.
E mesmo que hoje pareça tarde pra quase tudo,
sempre há espaço para algo bonito começar de novo.
