Nem toda dor que recebemos é nossa para carregar. Há feridas que, por não encontrarem cura, se tornam acusações. Há afetos distorcidos pela mágoa, onde o amor vira cobrança, e a culpa se despeja em quem mais tentou amar.
Quando alguém projeta em nós seus abismos, por mais que doa, é preciso lembrar: o sofrimento do outro não anula o que fomos, o que sentimos, o que tentamos.
Há momentos em que cuidar de si é o único gesto possível. Não por desistência, mas por sabedoria. Porque até o amor precisa de fronteiras quando machuca mais do que acolhe.
E talvez, no silêncio respeitoso que se instala, esteja a sinfonia mais sincera de um amor que continua… mesmo de longe.
