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Quando a dor que sentimos agora consegue superar todas as outras

A gente achava que já tinha vivido o pior.

Que aquela dor antiga era insuperável, invencível, definitiva.

Mas, de repente, a vida nos coloca diante de um novo abismo.

E sentimos algo que jamais imaginamos sentir

um vazio mais fundo, uma perda mais silenciosa,

uma tristeza que atravessa lugares em nós que nunca tinham sido tocados.

É aí que entendemos:

a dor não compete entre si.

Ela se reinventa.

E cada fase da vida tem sua própria forma de doer.

Não é fraqueza sentir mais do que antes.

É apenas a prova de que ainda estamos vivos.

E que, por mais que doa, seguimos tentando.

Sentindo.

E, de algum modo, ainda acreditando que vai passar.

Porque, mesmo quando parece impossível, a vida encontra um jeito de continuar.

7 comentários em “Quando a dor que sentimos agora consegue superar todas as outras”

  1. What a beautifully crafted meditation on the human condition! Your poem captures something so universally true yet rarely articulated with such clarity and grace. The way you’ve personified pain as a creative force that “reinvents herself” is absolutely brilliant – it transforms our understanding of suffering from something that diminishes us to something that, paradoxically, demonstrates our capacity for growth and feeling.

    Your imagery is particularly striking. Phrases like “deeper emptiness” and “quieter loss” create such a vivid emotional landscape that readers can immediately recognise in their own experiences. The line “sadness that crosses places in us that had never been touched” is genuinely breathtaking – it captures that specific quality of new grief that feels both foreign and deeply familiar.

    The structure you’ve chosen serves your message perfectly. Those shorter, isolated lines create moments of profound emphasis, particularly “Feeling.” which stands alone as both vulnerability and strength. Your instinct for where to break lines and create pauses shows a real understanding of how poetry can mirror the rhythm of thought and emotion.

    Most importantly, you’ve achieved something remarkable: you’ve written about pain without wallowing in it, instead offering genuine wisdom and hope. The final sentiment – that “life finds a way to go on” – feels earned rather than platitudinous because you’ve taken us through the genuine complexity of the experience first. This is poetry that truly serves its readers, offering both recognition and solace.

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    1. Your words touched me in a way I wasn’t expecting — thank you, truly. To feel so deeply seen and understood through someone else’s reading is a gift, and I’m holding that with quiet gratitude.

      It’s rare to find someone who not only receives a poem but listens to it with such openness and emotional clarity. The reflections you shared became, para­doxically, their own kind of poetry — gentle, thoughtful, and full of presence.

      Knowing that something I wrote resonated on that level reminds me why I write in the first place. Not to explain pain, but to hold space for it — and maybe, along the way, meet others in those unspoken places we all carry.

      Thank you for meeting me there. Your message will stay with me for a long time.

      With warmth,
      Bia

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  2. Que obra de tirar o fôlego, bela e profunda você criou! Sua capacidade de capturar a experiência humana universal da dor em evolução com tanta graça lírica é verdadeiramente notável. A maneira como você estruturou este poema — com aquelas quebras de linha perfeitamente posicionadas e o ritmo suave de suas palavras — cria uma qualidade quase meditativa que atrai os leitores a uma contemplação profunda.

    Sua percepção de que “a dor não compete consigo mesma” é genuinamente brilhante e filosoficamente rica. Você conseguiu transformar o que poderia ser um assunto profundamente deprimente em algo, em última análise, afirmativo e esperançoso. A progressão do desespero para aquela fé final e silenciosa de que “a vida encontra um jeito de continuar” é magistralmente elaborada.

    Sua escrita demonstra tanta inteligência emocional e maturidade. Você deu voz a algo que muitos de nós sentimos, mas lutamos para articular — que envelhecer muitas vezes significa descobrir novas profundezas de sentimento que nunca soubemos que existiam. A compaixão que você demonstra pela vulnerabilidade humana, ao mesmo tempo em que celebra nossa resiliência, revela tanto sua habilidade como escritora quanto sua sabedoria como pessoa. Esta peça, sem dúvida, tocará muitos corações e oferecerá conforto àqueles que estão navegando em suas próprias jornadas difíceis.

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    1. Suas palavras me tocaram de um jeito que eu não esperava — obrigada, de verdade. Sentir-me tão profundamente vista e compreendida através da leitura de alguém é um presente, e estou acolhendo isso com uma gratidão silenciosa.

      É raro encontrar alguém que não apenas leia um poema, mas o escute com tanta abertura e clareza emocional. As reflexões que você compartilhou se tornaram, paradoxalmente, uma poesia por si só — suave, atenta e cheia de presença.

      Saber que algo que escrevi ressoou dessa forma me lembra por que escrevo. Não para explicar a dor, mas para abrir espaço para ela — e talvez, nesse caminho, encontrar outros nesses lugares não ditos que todos carregamos.

      Obrigada por ter me encontrado lá. Sua mensagem vai ficar comigo por muito tempo.

      Com carinho,
      Bia ✨

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  3. Grato, Bia Mundal

    pelas visitas ao UAÍMA. Várias vezes escrevi aqui no WP e também num dos meus livros em papel, escrevi que “a pior dor é a do momento“, sim, seja ela dor de dente, cefaleia, coluna vertebral, a dor inigualável de um tapa, a dor de uma saudade indefinida, a garganta inflamada, eis a dor da insônia, e as mil e uma outras de todos nós, porque ninguém escapa no mínimo de uma severa e enlouquecedora dor em qualquer lugar do corpo ou da mente.

    Um abraço, Bia. Sua Página é rede pra dormir, sossego e aprendizado.

    Darlan M Cunha

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    1. Querido Darlan,

      Receber suas palavras é como abrir uma janela e deixar o vento da sabedoria entrar — leve, verdadeiro, necessário.
      Sim, a dor do agora parece sempre ser a mais aguda, talvez porque não nos dá tempo de defesa… ela apenas chega e se instala, como se o mundo encolhesse naquele ponto exato do corpo ou da alma.

      Você escreve com a delicadeza de quem já sentiu fundo, e ainda assim escolhe partilhar abrigo.
      É raro encontrar quem nomeie tantas formas de dor e, ainda assim, nos devolva a esperança — como quem nos oferece um banco de madeira à sombra depois de um longo caminho.

      Gratidão por passar pelo Sinfonia e deixar sua presença feita de palavras que acolhem.
      A rede está armada. A casa segue de portas abertas.

      Com afeto,
      Bia Mundal

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      1. É isso aí, Bia. Uma vez que levantado, são quatro horas da madrugada, meu prédio novo de 4 andares numa rua de 2 quarteirões é um sossego 24 horas. Quer um cafezinho ?

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