Nem sempre o que nos fere começou em nós.
Há dores que chegam de fora, como vento frio entrando por uma fresta esquecida.
Não são nossas — mas nos alcançam.
Porque convivemos.
Porque nos importamos.
Porque estamos por perto.
Às vezes, o outro carrega uma tristeza antiga que nunca soube nomear.
Uma raiva que cresceu quieta.
Um medo que virou controle.
E, sem perceber, vai transbordando tudo isso no modo como fala, age ou se ausenta.
Não é que nos odeie.
Não é que sejamos culpados.
Mas quando alguém não cuida da própria dor, ela se espalha.
E pode virar cansaço nos nossos ombros, nó na nossa garganta, desconforto em dias que antes pareciam calmos.
Você sente o impacto… e se pergunta:
“Fiz algo de errado?”
“Será que sou eu?”
Mas, muitas vezes, não é.
É só a dor do outro querendo espaço onde não deveria habitar.
Ninguém está isento de falhas, de momentos difíceis, de dias pesados.
Mas existe uma diferença entre viver isso com responsabilidade
e permitir que se torne um fardo para quem está ao redor.
Cuidar da própria dor é um ato de amor.
E também de ética emocional.
Porque o que não é curado…
transborda.
E às vezes afoga quem só queria ser mar calmo.
Se hoje você sente que está lidando com o reflexo da dor de alguém,
lembre-se: você tem o direito de se proteger.
De não carregar o que não é seu.
De dizer “não posso ser abrigo para a tempestade de todos”.
Isso não é egoísmo.
É preservação.
É maturidade afetiva.
É a escolha de não repetir o ciclo.
E se um dia for você quem estiver doendo — e todos estamos em algum momento —
que encontre coragem para cuidar de si antes que essa dor toque quem você ama.
Porque amar também é isso:
evitar que a nossa escuridão escureça demais o mundo do outro.

A isso chamo empatia.
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Sim…
Sentir a dor do outro como se fosse nossa é uma forma silenciosa de amor.
Empatia é essa ponte invisível que nos aproxima,
mesmo quando o sofrimento não nos pertence diretamente.
É saber estar — com o coração aberto — onde muitas vezes ninguém fica.
Gratidão por essa partilha.
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Fala profunda com sutileza poética. E necessária.
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Que bom saber que essas palavras tocaram assim — com delicadeza e verdade.
Às vezes, é mesmo na sutileza que as dores encontram espaço para respirar.
Obrigada por sentir junto. 🌸
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