Coleções de Leitura | Sinfonia de Palavras

Mais Uma Vez

(em homenagem à canção de Renato Russo)

Há músicas que não passam.

Elas ficam.

Como se soubessem exatamente o momento em que o silêncio pesa demais.

Como se nascessem sempre que alguém precisa de um abraço.

“Mas é claro que o sol vai voltar amanhã…”

Não é só verso.

É oração mansa.

É aquele sussurro que chega quando tudo parece desabar.

Essa canção não promete grandes milagres.

Ela fala de dores reais.

De gente que machuca, de planos que não se cumprem,

de sonhos desacreditados.

Mas, ao mesmo tempo, ela estende a mão.

Com uma ternura firme,

nos lembra que a escuridão já foi pior,

e que quem continua — mesmo com medo

já está mais perto da luz.

“Mais uma vez” é uma canção para os dias em que a alma está cansada.

Para os momentos em que o mundo parece injusto,

mas dentro de nós ainda existe uma vontade pequena de seguir.

Ela não nega a dor.

Mas também não se rende a ela.

É sobre confiar em si quando o resto falha.

Sobre acreditar — não com euforia, mas com paciência.

Com a coragem de quem sabe que a esperança

às vezes se disfarça de silêncio…

mas nunca se apaga.

E assim, verso após verso,

a música vai devolvendo fôlego,

como quem acende uma vela no escuro

e sussurra:

“Só mais um passo. Só mais uma manhã. Só mais uma vez.”

E isso já basta

para que o coração comece a lembrar

que o sol, de fato, sempre volta.

Mesmo que devagar.

Mesmo que escondido.

Mas volta.

Sempre volta.

2 comentários em “Mais Uma Vez”

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