Amor

Quando o amor volta a nascer

Depois de uma dor, é difícil confiar de novo.

O coração fica como casa depois da tempestade:

ainda de pé — mas com janelas fechadas e algumas partes alagadas por dentro.

Mas o tempo passa.

E um dia, quase sem aviso, alguém chega…

sem prometer nada,

sem pedir demais,

apenas oferecendo presença.

E o que parecia inalcançável começa a acontecer de novo:

o riso volta devagar,

o toque já não assusta tanto,

e o medo vai perdendo espaço para a curiosidade de sentir outra vez.

Recomeçar não é esquecer o que doeu.

É permitir que algo novo floresça, mesmo onde antes houve medo.

O amor que surge depois da dor não carrega pressa, nem promessa.

Ele apenas caminha — passo a passo —

com a gentileza de quem sabe que o coração já caiu,

mas ainda escolhe acreditar no que pode nascer.

2 comentários em “Quando o amor volta a nascer”

  1. É uma profunda expressão de luto e saudade, onde o eu-lírico projeta no retorno da pessoa amada a restauração de um mundo idealizado de felicidade e plenitude. A linguagem é carregada de hipérboles e metáforas grandiosas, que buscam traduzir a magnitude do amor e da perda. As promessas de fenômenos naturais — estrelas explodindo, Terra tremendo, mar acalmado — servem como amplificadores da alegria que o reencontro traria, evidenciando o impacto avassalador da presença do ser amado em sua vida.
    Há uma batalha entre a esperança e a dura realidade. Inicialmente, o texto se entrega ao sonho de um retorno, detalhando planos e anseios futuros (viagens, aventuras, a compra do sítio, a tatuagem). Essa idealização é uma forma de coping, de manter viva a chama de um passado feliz. No entanto, a paralaxe se revela no final, quando a realidade cruel da perda é exposta. A menção ao “passeio tão banal”, à “poça de óleo” e ao fato de “ela levou você para sempre” quebra abruptamente a fantasia, trazendo o leitor de volta ao presente de dor e impossibilidade.
    A memória afetiva é um pilar central. O sítio das hortênsias e buganvílias, as risadas e as lágrimas compartilhadas, e os planos futuros (viagem de moto ao Alasca, Roma) são reminiscências que pontuam a narrativa, mostrando como o passado feliz ainda habita intensamente o presente do eu-lírico. A frase “Dez meses de lágrimas” demarca o tempo do sofrimento, reforçando a persistência da dor.
    Em sua essência, o texto explora a dualidade entre o desejo irrealizável e a aceitação da perda. É um grito de amor que se confronta com a inevitabilidade da ausência, um reconhecimento de que, embora o sonho da volta seja constante, a realidade é implacável. A promessa de “seríamos, para sempre, apenas um” é o ápice do anseio de fusão e completude que a presença do outro proporcionava.
    Em suma, é um poderoso retrato da devastação emocional causada pela perda de um grande amor, onde a esperança de um reencontro se choca com a certeza da ausência, revelando a complexidade do luto e a força da memória afetiva.

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    1. Que maravilhosa análise… Fiquei comovida com sua leitura tão sensível… É bonito ver como você enxergou cada camada do que escrevi, até aquelas que talvez nem eu tivesse nomeado ainda. Obrigada por mergulhar com tanta alma nesse texto. 💛

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