Relações Que Adoecem e a Coragem de Se Escolher

Quando a dor vira munição

Há dores que não vêm do que foi dito —

mas do lugar de onde vieram.

Quando alguém, que um dia escutou nossas fragilidades,

usa o que sabe para ferir,

não é franqueza. É invasão.

Isso pode acontecer em muitos laços:

entre casais, amigos, familiares, colegas de trabalho.

Basta que exista confiança de um lado

e descuido, ou mesmo manipulação, do outro.

Há quem se aproxime para acolher —

mas guarde o que escutou como trunfo.

E quando se sente ameaçado, frustrado ou em desvantagem,

atira de volta o que nunca deveria ter sido usado como arma.

Às vezes isso vem em tom de piada,

ou se esconde por trás de impulsos justificáveis —

mas a intenção fere.

E fere de um jeito que silencia.

Porque quando o que foi partilhado com verdade

é virado contra nós,

o vínculo já deixou de ser um lugar seguro.

É preciso coragem para reconhecer esse tipo de violência.

Ela não grita, mas mina.

Não deixa marcas visíveis,

mas vai apagando o espaço de ser quem se é — sem medo.

Nem toda relação é abrigo.

Mas é possível, aos poucos, reconstruir-se em lugares onde a confiança seja chão,

e não ameaça.

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