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A esperança que anda

Há quem diga que esperança não é uma estratégia.

E talvez tenham razão

se pensarem naquela esperança que só espera.

Que cruza os braços, fecha os olhos e se entrega ao acaso,

como quem joga sua vida nas mãos do tempo e apenas torce para dar certo.

Mas esperança, quando é viva,

não espera sentada.

Ela acorda com a alma em desalinho

e mesmo assim arruma a cama.

Ela lava o rosto com lágrimas e segue em frente,

ainda que sem saber exatamente para onde.

Esperança verdadeira não paralisa —

ela impulsiona.

Não foge da realidade —

ela sonha dentro dela.

É a fé que se transforma em ação.

É a intuição que orienta a escolha.

É o que nos impede de desistir de nós mesmos,

mesmo depois de tantos recomeços.

Esperança não é ausência de dor.

É presença de coragem.

É aquela luz mansa que não grita,

mas persiste.

Porque no fim,

quem anda com esperança nos pés

não se contenta em apenas desejar.

Age com ternura.

Escolhe com verdade.

E mesmo sem mapa, caminha.

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