Nem toda perda acontece com a morte física.
Às vezes, ela acontece nas manhãs vazias, nas mensagens que não chegam, nos abraços que não podem mais ser dados.
Existe um luto que não tem funeral.
É o luto pelos vivos:
por aqueles que amamos mas que, de alguma forma, se distanciaram — pela vida, pelas escolhas, pelo tempo, pela dor.
É um luto silencioso, cheio de saudades que o mundo não reconhece.
Você se pega chorando por alguém que ainda existe,
mas que já não habita mais o mesmo espaço que você.
E tudo isso é real.
E tudo isso dói.
Luto pelos vivos é a dor de amar sem tocar,
é carregar histórias no peito que não têm mais continuidade,
é querer proteger quem já caminhou para longe, mesmo sem querer.
Permita-se sentir.
Permita-se chorar pelos vivos.
Permita-se viver esse luto sem culpa.
Porque amar é isso:
uma coragem imensa, mesmo quando o outro parte de um jeito que não deixa marca visível, só cicatriz na alma.
E um dia, com tempo, com amor próprio, com compaixão,
você aprenderá a honrar essa conexão de outra maneira —
sem prisão, sem desespero,
mas com a serenidade de quem entende que o amor verdadeiro nunca se perde.
Ele apenas muda de forma.
Você não está sozinha nessa dor.
Seu amor é sagrado.
Seu luto é legítimo.
