Há momentos em que o coração sussurra verdades que a mente tenta adiar.
Não por mentira, mas por medo do que muda quando se vê com clareza.
Entre o sentir e o permanecer, existe um silêncio.
E nele mora a pergunta que ninguém pode responder por nós.
Nem todo laço se rompe por falta de amor.
Às vezes, ele se desfaz quando já não cabe quem nos tornamos.
Ser verdadeiro não é ferir,
é não se abandonar aos poucos para caber no que já não sustenta.
Porque há despedidas que acontecem por dentro,
muito antes de qualquer palavra ganhar forma.
E há ausências que começam na presença,
quando já não se consegue mais repousar no mesmo lugar.
Ficar também pode ser uma forma de partir de si.
E partir, às vezes, é o único jeito de voltar.
Há um ponto em que insistir deixa de ser cuidado
e passa a ser esquecimento de quem se é.
E reconhecer isso não diminui o amor,
apenas o reposiciona dentro da verdade.
E no fim, a maior coragem não é ficar ou partir.
É olhar para dentro… e não desviar os olhos.
É sustentar a própria verdade mesmo quando ela treme,
mesmo quando ela pede mudança.
Porque ser inteiro exige rupturas silenciosas,
e recomeços que ninguém vê,
mas que, ainda assim, transformam tudo.
