Há momentos na vida em que as perseguições não parecem apenas humanas.
Como se os acontecimentos se acumulassem de forma estranha,
como se certas presenças, palavras e conflitos surgissem repetidamente,
criando a sensação de que algo maior, invisível,
atravessa os dias.
Algumas pessoas chamam isso de coincidência.
Outras chamam de fase difícil.
Há quem chame de batalha espiritual.
Talvez seja apenas a vida revelando
o quanto a existência pode ser densa
quando atravessada por escolhas, invejas, medos
e forças que nem sempre sabemos nomear.
Há períodos em que tudo parece vir junto:
mal-entendidos, afastamentos, perdas, ataques silenciosos,
palavras ditas para ferir,
silêncios usados como arma.
E quem atravessa esses tempos muitas vezes se pergunta
se aquilo é apenas humano
ou se há algo mais profundo acontecendo.
Mas existe também outra verdade nesses períodos.
Quanto maior a turbulência ao redor,
mais se revela aquilo que permanece de pé por dentro.
Há algo que nenhuma perseguição consegue alcançar:
a consciência tranquila,
a integridade silenciosa,
a capacidade de continuar caminhando
sem devolver ao mundo o mesmo peso que recebeu.
Talvez algumas batalhas não sejam visíveis
porque acontecem dentro do espírito.
E talvez vencer, nesses casos,
não seja destruir o que ataca,
mas continuar sendo quem se é
mesmo quando tudo parece conspirar
para que se deixe de ser.
Porque há forças que tentam cercar.
Mas também há forças que sustentam.
E estas, quase sempre,
trabalham em silêncio.
