A gente se ilude
ou se permite fingir que acredita.
Depende.
Depende do quanto dói encarar a verdade.
Depende do quanto custa sustentar lucidez.
Depende de quanta energia temos
para manter os olhos abertos.
Porque enxergar cansa.
Ver além das máscaras
exige força.
E há dias em que a alma
não quer lutar
quer descanso.
Então a gente negocia com a realidade.
Suaviza o que incomoda.
Adia o confronto.
Conta uma história mais leve
para conseguir continuar.
Não é sempre fraqueza.
Às vezes é sobrevivência.
Fingir que acredita
pode ser um intervalo.
Uma pausa entre a dor
e a decisão.
Mas há um preço.
Toda ilusão consome energia também.
Sustentar o que não é
exige esforço silencioso.
E o corpo sente.
E o coração sabe.
No fim,
talvez não seja sobre se iludir
ou ser forte o tempo todo
mas sobre escolher
onde investir a própria verdade.
Porque energia é vida.
E a vida não merece
ser gasta
mantendo mentiras que nos esvaziam.
