Houve um tempo
em que amar era esperar.
Alguns meses
medidos em fronteiras,
carimbos,
e noites que pareciam
não terminar.
Houve casas provisórias,
malas que não se desfaziam,
mensagens lidas no escuro,
e a tentativa insistente
de continuar sendo “nós”
à distância.
Antes disso,
houve anos
de cotidiano partilhado:
corpos habituados,
rotinas simples,
silêncios que já não doíam.
Depois,
a separação não escolhida
ensinou o peso real
do querer ficar.
Vieram meses
em que a ansiedade
ocupava mais espaço
do que o futuro.
Noites longas,
dias suspensos,
a dúvida batendo
sem pedir licença.
Mas o vínculo permaneceu
não por promessa,
e sim por presença insistente
mesmo quando o corpo faltava.
E no meio do cansaço,
uma certeza silenciosa:
amar era escolher o outro,
mesmo quando o mundo dizia espera.
Então,
depois da travessia,
veio o gesto definitivo:
não como fuga,
não como compensação,
mas como escolha.
Casaram.
Não para apagar o esforço,
mas para honrá-lo.
Não porque foi fácil,
mas porque resistiu.
Algumas histórias
não se constroem na urgência,
mas na permanência.
Não no encantamento inicial,
mas na coragem
de atravessar o tempo
sem desistir de ficar.
E quando enfim ficaram,
não foi vitória.
Foi descanso.
E amor,
que sobrevive à espera,
aprende a ficar.
