Coleções de Leitura | Sinfonia de Palavras 2

Quando o amor precisa se transformar em distância

Às vezes, o amor não é o suficiente para permanecer.

Às vezes, o amor precisa se transformar em distância,

porque o coração também cansa de sangrar em silêncio.

Tentou-se — e tentou-se com tudo o que havia.

Acolheu-se, sustentou-se, protegeu-se, acreditou-se.

Foi-se casa, mesmo quando ninguém quis ficar.

Foi-se força, mesmo quando ninguém perguntou se ainda havia forças.

Não há culpa em se proteger.

Não há pecado em dizer “não posso mais”.

Há apenas um corpo exausto pedindo um pouco de paz.

Os que amam de verdade um dia entenderão.

Entenderão que não foi abandono,

foi sobrevivência.

Que não foi egoísmo,

foi amor

por todos, por si, pela sanidade.

Deixa-se o silêncio trabalhar.

Deixa-se o tempo ensinar o que agora ninguém consegue ouvir.

A vida ainda há de devolver o que foi tirado aos poucos:

a leveza de existir sem culpa,

a ternura de cuidar de si como sempre se cuidou dos outros.

E quando esse dia chegar,

não será um recomeço

será um retorno.

Porque nunca se deixou de ser quem se é:

apenas se estava cansado de segurar o mundo sozinho.

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