Há um silêncio que pesa mais do que palavras,
um espaço onde o coração fica suspenso
entre o medo de perder
e a necessidade de se escolher.
O medo sussurra que é melhor ficar,
que a ausência dói mais do que a presença ferida.
Mas a alma sabe:
não há cura em um lugar
que repete as mesmas feridas.
Amor não é algema,
não é cobrança travestida de cuidado,
não é ausência de paz em nome da companhia.
Amor é espaço para respirar,
é presença que aquece
sem exigir que você se apague.
Ficar por medo é prisão.
Partir por coragem é travessia.
Nenhum dos caminhos é leve,
mas apenas um devolve o ar aos pulmões.
E então, chega a pergunta
que não dá mais para silenciar:
até onde vale permanecer
quando a permanência custa a si mesmo?
A resposta não vem de repente,
ela nasce devagar,
como luz que atravessa a fresta
mesmo em casas escuras.
E quando chega,
não se trata de desistir do amor,
mas de entender que amar também é se escolher.
E que a verdadeira separação
não é do outro,
mas do que nos diminui.
