Relacionamentos e Vínculos

O dilema entre amar e permanecer inteiro

Quantas vezes nos vemos entre dois caminhos que parecem opostos:

o de estar em um relacionamento com quem se ama

ou o de permanecer em silêncio consigo mesmo,

abraçado à própria paz, ao próprio tempo.

Amar alguém é, tantas vezes, um exercício de entrega.

É ceder espaços, partilhar rotinas, aprender a respirar no compasso do outro.

É abrir mão de pequenos rituais que antes eram apenas nossos,

ceder silêncios, abrir frestas no coração para que outro coração habite ali.

Mas amar a si mesmo também é entrega

uma entrega ainda mais desafiadora.

É ter coragem de dizer não quando tudo ao redor pede sim.

É reconhecer que a própria paz não pode ser constantemente negociada.

É escolher permanecer inteiro, ainda que em solidão.

O coração, por vezes, insiste em relembrar o afeto,

os gestos simples que aquecem,

as presenças que trazem cor à vida.

Mas a alma, em seu murmúrio sereno, pede descanso.

E nesse embate entre querer ficar e precisar de paz,

descobrimos que amor não é só o que nos liga ao outro

é também o que nos permite não nos perder de nós mesmos.

Relacionar-se é abrir mão de algo.

Mas não deveria ser abrir mão da própria essência.

Porque um amor que pede silêncio da alma

não pode ser o mesmo que ensina a florescer.

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