O silêncio pode ser paz,
ou muro que castiga.
A inversão disfarça acusações,
torce palavras,
transforma gestos em espelhos distorcidos.
Gratidão verdadeira não pede recibo,
mas respeito é a base que a sustenta.
Quem ajuda por amor, não busca superioridade,
e quem não reconhece, apenas revela
o peso que escolhe carregar sobre o outro.
Não há obrigação de permanecer
onde o cuidado é recebido com desprezo,
ou a presença é medida em silêncio punitivo.
O gesto que acolhe não se perde
quando se mantém firme,
quando não se permite ser diminuído
onde só existiu cuidado.
O olhar que ignora,
o gesto que desvaloriza,
mostram apenas o vazio que carregam.
Palavras que viram flechas,
silêncios que viram muralhas,
não apagam a verdade do ato generoso.
A bondade não precisa ser proclamada,
nem o apoio medido.
Mas quem não sabe reconhecer,
entrega ao mundo sua própria limitação.
Há força em continuar de pé,
mesmo quando o outro se cala,
mesmo quando o outro distorce a realidade.
E no equilíbrio de quem permanece íntegro,
o cuidado não se perde,
a gratidão não precisa de ecos,
e o respeito se mantém
como a única medida verdadeira.
