Entre Sentir e Curar

Algumas saudades não se curam

Algumas saudades não se curam.

Não importa o tempo que passe, não importa o quanto a vida nos leve adiante elas não fecham como feridas, não se apagam como riscos na areia. Apenas mudam de forma.

Deixam de doer como antes e passam a morar em silêncios, em pequenos gestos, em lembranças que chegam sem pedir licença. Às vezes se tornam uma música que desperta memórias, um cheiro que abre portas invisíveis, um detalhe do cotidiano que faz o coração estremecer.

Essas saudades não desaparecem. Elas se transformam em parte do que somos. Ensinaram-nos a sentir, a perder, a amar de maneira tão intensa que se eternizaram em nós.

E, de algum modo, também nos sustentam, porque revelam que existiu algo precioso o suficiente para deixar marcas que nunca se desfazem.

Algumas saudades não curam.

Mas se transformam em ternura, em silêncio suave, em lembranças que aprendemos a abraçar com delicadeza.

E seguimos, vivendo com elas como quem carrega um pedaço de eternidade dentro do peito.

4 comentários em “Algumas saudades não se curam”

  1. That is lovely – although I read it from translation, so I’m sure the original is even better written.
    Those memories are okay – the ones that never stop hurt are the problematic ones. No?

    More importantly, thanks for sharing!

    Curtido por 1 pessoa

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