Autoimagem e Reconstrução

A beleza que não se vê no espelho

Há rostos que carregam cicatrizes.

Há corpos que não seguem o padrão esperado.

Mas nenhuma aparência é capaz de aprisionar a grandeza de um coração ou a luz de uma mente criadora.

O espelho, tantas vezes, se limita a mostrar o que é visível.

Mas a vida insiste em sussurrar que a beleza verdadeira não cabe em reflexos.

Ela não se mede por simetrias, nem por linhas que o tempo insiste em traçar.

Ela se revela na delicadeza dos gestos,

na força de quem se levanta depois da queda,

na generosidade silenciosa que floresce mesmo em dias áridos.

A beleza está na coragem de continuar quando tudo parece ruir.

Está no olhar que acolhe, na palavra que consola, no riso que nasce mesmo em meio às dores.

Está na esperança que se recusa a morrer dentro de quem já conheceu a sombra.

O que floresce dentro é sempre maior do que aquilo que se mostra fora.

E talvez a maior beleza seja justamente essa:

aquela que não se enxerga com os olhos,

mas que se sente, profundamente, com a alma.

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